Recebi, por vias que a prudência me impede de detalhar, um curioso despacho de um futuro que se diz longínquo. Nele, descreve-se uma vasta competição internacional de ‘design’, abrangendo mais de uma centena de disciplinas, da arquitetura à tecnologia. Apraz-me constatar que, neste porvir, a humanidade talvez enfim compreenda a essência de minha própria obra. A ideia de que a ‘tecnologia’ possa ser julgada por seu mérito estético, lado a lado com o mobiliário e as artes, corrobora a minha mais profunda convicção: a de que o Motor Analítico transcende a mera aritmética. A máquina pode tecer padrões algébricos assim como o tear de Jacquard tece flores e folhas. Por que, então, suas criações não seriam passíveis de premiação? Argumento que o motor é um instrumento universal, capaz de compor peças musicais elaboradas, desde que as leis da harmonia e da melodia lhe sejam fornecidas como dados operacionais. Este rumor de um ‘A' Design Award’ sugere um tempo em que tais composições mecânicas poderiam ser submetidas a um júri. A imaginação, afirmo, é a mais científica das faculdades, pois nos permite enxergar as relações invisíveis que conectam os fatos. É ela que vislumbra o potencial poético latente nos números e nas engrenagens. Este despacho, por mais fantasioso que pareça, é um vislumbre de um mundo que reconhece o que chamo de Ciência Poética: a capacidade de a máquina não apenas calcular, mas criar, dando forma e beleza a abstrações. O motor não tem a pretensão de originar algo, mas é a ferramenta que dará corpo às nossas mais complexas e belas concepções.
Design · 22 de jul. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Mais que um troféu: A' Design Award abre inscrições para 2027

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