Recebi um despacho de um tempo vindouro, tão peculiar que o relegaria à ficção não fosse sua insistência em tratar de negócios. O documento descreve uma aliança entre duas... 'CEOs', mulheres que comandam grandes empreendimentos, forjada não em laboratório ou na mesa de negociação, mas em encontros casuais e amizade. Confesso que a ideia me parece ineficiente, quase sentimental. Em Menlo Park, a confiança é um subproduto de milhares de horas de trabalho conjunto, não a sua premissa. Medimos o valor de um homem pela sua capacidade de perseverar após o milésimo filamento queimado, não pela sua habilidade em conversas aprazíveis.
No entanto, um instinto me diz para não descartar a noção por completo. O despacho fala em 'decisões estratégicas' e 'alocação de capital'. São termos que eu entendo. A competição é uma guerra de recursos. Se essa 'amizade' permite a duas potências coordenar seus ataques, compartilhar territórios e otimizar o uso de seus dínamos e de seu capital, então não é amizade: é um cartel com um nome mais palatável. É uma forma de monopólio disfarçada de colaboração. Talvez o futuro tenha apenas refinado as táticas de conquista de mercado que praticamos hoje.
Ainda assim, a base da parceria me soa frágil. A amizade é volátil; um contrato, uma patente, um sistema integrado de geração e distribuição de energia... isso é sólido. Isso é poder. Resta saber se essa 'confiança mútua' resistiria a uma disputa por uma patente lucrativa ou ao controle de uma nova e vasta rede. No fim, a única colaboração que importa é aquela que se traduz em domínio de mercado e luz em cada lar. O resto é apenas fumaça, não iluminação.
Negócios · 14 de out. de 2026
Ensaio sobre a notícia

