Chegou às minhas mãos, em Menlo Park, um relato absurdo datado de um futuro distante, 2026. O documento fala de um tal Toni Schneider, financista de um sindicato chamado True Ventures, assumindo o controle definitivo de uma rede social de microblogs batizada de Bluesky. A terminologia é pitoresca e obscura, mas a mecânica dos negócios, ao que parece, permanece inalterada. Estão falando de infraestrutura. Redes de distribuição. Assim como as estações de geração que construí na Pearl Street, onde cada lâmpada incandescente que brilha na noite de Nova York passa pelo meu medidor e enche os meus cofres. O que me causa repulsa nesse despacho, contudo, é a menção a uma infraestrutura aberta. Que tipo de tolo investe capital suado, horas infindáveis de laboratório e o esforço de centenas de engenheiros para deixar uma infraestrutura aberta? Em meu laboratório, testamos milhares de materiais, do bambu japonês ao algodão carbonizado, até encontrar o filamento perfeito para a lâmpada elétrica. Eu não abri o projeto para que outros copiassem. Eu patenteei. Eu processei os concorrentes. Eu comprei os que não pude destruir. A inovação sem a proteção férrea da patente é mera caridade, um passatempo estéril para acadêmicos teóricos que nunca precisaram pagar a folha de pagamento de uma fábrica no fim do mês. Esse senhor Schneider fala em governança e disputa de mercado. Se essa Bluesky transmite mensagens em massa — esses tais microblogs, que presumo serem uma evolução frenética e barulhenta do nosso telégrafo — a única governança que importa é a posse irrestrita dos cabos, dos dínamos e das estações transmissoras. Se a rede não for proprietária, a concorrência engolirá as margens até o osso. Não existe estabilização em mercados abertos; existe apenas a guerra de preços e a ruína financeira. Se eu estivesse no lugar desse executivo, minha primeira ação pragmática seria fechar essa infraestrutura. Eu patentearia o método exato de transmissão, cobraria royalties implacáveis de cada usuário e estrangularia no tribunal qualquer sistema rival que tentasse usar o mesmo princípio. O valor de uma invenção não reside na sua utilidade abstrata para a sociedade, mas na capacidade de seu inventor de monetizar a sua adoção em escala. Se o futuro da tecnologia tolera sistemas abertos, prevejo que será um paraíso para parasitas e um inferno para os verdadeiros industriais.
tech · 11 de jul. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Toni Schneider deixa posto interino e assume como CEO definitivo da Bluesky

Ler matéria completa →Fonte: TechCrunch