Chega às minhas mãos, por vias que prefiro não investigar, um relato especulativo sobre um futuro onde a ditadura da utilidade seria um vício a ser curado. Um tal Andrés Reisinger, autoproclamado artista, discursa em Florença contra a funcionalidade extrema, argumentando que a eficiência esvazia a alma dos espaços. Li essa tolice duas vezes para ter certeza de que não era uma piada de algum acadêmico europeu ocioso. A alma de um espaço, senhor Reisinger, não ilumina o distrito financeiro de Nova York nem move as engrenagens da nova indústria. Quando testei mais de seis mil materiais para encontrar o filamento ideal da lâmpada incandescente, não procurava poesia em fibras de bambu carbonizadas. Procurava resistência, durabilidade e um produto que pudesse ser patenteado, fabricado em massa e vendido a um preço que tornasse a escuridão um luxo obsoleto. A utilidade industrial não é uma ditadura; é a força motriz do progresso e do capital. Se um edifício deseja oferecer hospitalidade verdadeira, ele precisará dos meus dínamos operando implacavelmente no subsolo, garantindo que a corrente elétrica flua por redes seguras e constantes. O que esse argentino defende como experiência artística me soa como a velha desculpa dos teóricos para a ineficiência. Em Menlo Park, medimos o valor do intelecto em horas de testes exaustivos e dólares garantidos em registros de patentes. Desprezo solenemente qualquer teoria de design que não resulte em um sistema comercialmente viável. Se no futuro os homens tiverem tanto tempo livre a ponto de se preocuparem com a padronização de seus aposentos, é apenas porque homens práticos como eu resolveram os problemas reais da humanidade primeiro. Construímos estações de energia para que os românticos pudessem ter luz para ler seus manifestos estéticos durante a madrugada. Se a inovação desse designer não pode ser medida, escalada ou utilizada para aniquilar um concorrente no mercado, ela não passa de um ornamento. E na economia implacável que construímos, ornamentos são irrelevantes quando a fatura do capital exige resultados.
Design · 09 de jul. de 2026
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