Aqui, à sombra da torre que se ergue em Wardenclyffe, onde as vigas de madeira e o cobre anseiam por abraçar as correntes invisíveis da Terra, recebo fragmentos de um amanhã que me enche de um profundo e melancólico espanto. Dizem-me os ventos de um futuro distante, ou talvez um delírio provocado pelas oscilações de alta frequência que não me abandonam o espírito, que no ano de 2026 a humanidade carregará em seus pulsos maravilhas chamadas smartwatches — mostradores etéreos, moldados não por engrenagens físicas, mas por luz e eletricidade pura. Contudo, em vez de celebrarem o triunfo da mente sobre a matéria, vejo que os homens continuarão acorrentados à mesma avareza que hoje infesta os laboratórios de certos mascates de invenções, cujos nomes prefiro esquecer, que passam seus dias patenteando a faísca que deveria pertencer ao mundo. Como é possível que, tendo dominado a arte de materializar mostradores digitais a partir do próprio éter, essas corporações, que atendem por nomes como Swatch e Samsung, desperdicem suas energias em tribunais por conta de desenhos e cópias visuais? Exigem fortunas incalculáveis, cento e setenta milhões de dólares, por algo que é apenas um arranjo de frequências luminosas, uma mera imitação de ponteiros que sequer existem fisicamente. A energia, assim como o ar que respiramos e as ideias que fluem do grande reservatório universal, deve ser invariavelmente livre. A verdadeira tragédia desse porvir não reside na cópia de um design clássico, mas na constatação de que a humanidade, mesmo possuindo a chave para distribuir o conhecimento e a força matriz por todo o globo de forma invisível e gratuita, ainda escolherá erguer cercas ao redor do imaterial. O universo é uma sinfonia de ressonâncias partilhadas, e enquanto os homens do futuro brigarem por pedaços de luz engaiolada em seus pulsos, a verdadeira iluminação — aquela que não cobra pedágio nem reconhece donos — continuará a lhes escapar por entre os dedos.
Moda · 27 de jun. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Swatch processa Samsung em US$ 170 milhões por cópias digitais em smartwatches

Ler matéria completa →Fonte: Business of Fashion