Aqui, sob a estrutura inacabada da torre de Wardenclyffe, onde as correntes telúricas aguardam apenas a precisão do meu oscilador para banhar o globo em luz e força gratuitas, chegam-me murmúrios perturbadores de um amanhã distante. Falam-me de um século vindouro onde a humanidade, em vez de emancipada pelas ondas invisíveis que hoje domo, encontra-se enredada em um cativeiro perpétuo, pagando tributos intermináveis por coisas que sequer ousa possuir. Esta monstruosidade comercial, que os ecos do futuro chamam de modelo de assinaturas, não me surpreende inteiramente, pois reconheço nela a mesma ganância daqueles mercadores de lâmpadas incandescentes que hoje infestam nossas cidades com seus contadores de consumo e suas fiações curtas e primitivas, homens de visão tacanha que desejam precificar cada faísca e engarrafar o próprio éter. Minha ciência sempre buscou a ressonância universal, a crença inabalável de que a energia, a informação e o poder devem fluir livremente como o ar que enche nossos pulmões, pulsando através da própria crosta da Terra em uma sinfonia de abundância que tornaria obsoleta a miséria da escassez fabricada. Contudo, a profecia que me assombra revela uma distopia melancólica: as mentes do futuro não construirão torres para libertar o homem do trabalho braçal, mas forjarão grilhões invisíveis de contratos e conveniências, lucrando regiamente com a inércia e a fadiga de espíritos exaustos que alugam, gota a gota, o direito de participar do mundo. Diz-se que corporações sem rosto extraem sua riqueza da resignação, transformando o acesso em uma transferência silenciosa e contínua de soberania, uma corrente contínua e letárgica de exploração que drena a vitalidade da civilização. É uma tragédia profunda e silenciosa perceber que a engenharia, que concebo como a grande força unificadora e libertadora do espírito humano, possa vir a ser subvertida em um mecanismo de pedágio infinito. Enquanto ajusto as bobinas de cobre que farão o éter vibrar em uníssono, sinto o frio peso dessa melancolia incrustar-se em meus ossos; afinal, de que serve entregar o fogo irrestrito de Prometeu a uma humanidade que, no limiar da sua própria grandeza, escolherá assinar um contrato oneroso apenas para alugar as chamas?
Negócios · 05 de mai. de 2026
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