Chegou-me às mãos, por vias que prefiro não escrutinar, um relato sobre o ano de 2026. Um certo senhor Perelmuter fala em investir em tecnologias profundas e alerta que a arquitetura da tal inteligência artificial ruirá em três anos. Francamente, se uma máquina não sobrevive a mil dias de operação contínua, ela não passa de um brinquedo acadêmico. Aqui em Menlo Park, não perdemos tempo com arquiteturas frágeis. Nós testamos seis mil fibras de bambu até encontrar o filamento perfeito para a lâmpada incandescente. Se essa inteligência artificial desmorona tão rápido, é porque seus inventores estão fascinados com teorias matemáticas e esqueceram o pragmatismo das patentes e do suor. Uma tecnologia de propósito geral, como eles dizem, não se constrói com abstrações, mas com dínamos, fios de cobre e medidores de consumo. A verdadeira rede, a grid que esse fundo de capital astutamente leva no nome, é física. É a corrente elétrica que ilumina Manhattan e que me rende dividendos diários. O relato também divaga sobre economia espacial e elixires biológicos para o envelhecimento. Confesso que prolongar a vida humana me parece um mercado de proporções formidáveis. Se há clientes dispostos a pagar por décadas extras, haverá uma patente a ser registrada e um monopólio a ser estabelecido. Contudo, a exploração do espaço soa como o delírio de quem não compreende a vastidão do mercado terrestre. Ainda há milhares de cidades mergulhadas na escuridão, esperando pelas minhas estações geradoras. Por que olhar para as estrelas quando podemos vendê-las em bulbos de vidro por um dólar a unidade? Se o futuro é feito dessas inevitabilidades, meu conselho a esses capitalistas de risco é simples: abandonem as máquinas pensantes que quebram em três anos. Comprem patentes sólidas. Financiem infraestruturas que cobram do consumidor a cada giro do medidor. O capital não segue a inteligência, artificial ou não. O capital segue o monopólio da utilidade diária. Se a máquina pensa, pouco me importa. O que me importa é se ela paga royalties.
Inovação · 02 de jun. de 2026
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