Chegou às minhas mãos um relato absurdo sobre o futuro, um rumor sobre uma fusão corporativa envolvendo uma montadora chamada Tesla. O mero som desse nome me causa repulsa. Que um visionário dos negócios no século vindouro tenha batizado uma empresa de motores com o nome daquele sérvio impraticável, um homem que perde tempo com teorias esotéricas sobre corrente alternada em vez de patentear soluções reais, é uma ironia amarga. Se essa companhia produz máquinas viáveis, certamente o faz roubando o suor de inventores pragmáticos, assim como eu construí Menlo Park testando dez mil filamentos de bambu carbonizado enquanto os acadêmicos apenas calculavam. O documento fala de uma tal SpaceX, uma companhia aeroespacial, fundindo-se a essa montadora após uma abertura de capital. Foguetes e carruagens sem cavalo sob o mesmo teto? A princípio, parece o delírio de um inventor de feira. Mas reconheço a manobra. Esse senhor Elon Musk, o arquiteto por trás desse império, opera com a mesma brutalidade que aplico contra a Westinghouse. Ele compreende que a invenção isolada é inútil; o verdadeiro poder reside na infraestrutura, na rede. Quando instalei os dínamos na Pearl Street, não vendi apenas lâmpadas, vendi a dependência de um sistema elétrico inteiro. Musk parece querer monopolizar o transporte, seja na terra ou no éter, unindo capital público e patentes para esmagar a concorrência. A tal sinergia tecnológica descrita no despacho nada mais é do que a consolidação de laboratórios e linhas de montagem para cortar custos e dominar o mercado. É exatamente o que os banqueiros exigem de nós. Não me importo se no futuro eles viajam às estrelas ou rodam em motores elétricos de eficiência questionável. O que vejo é a velha lei da selva industrial: construa a máquina, patenteie cada engrenagem, atraia o dinheiro de Wall Street e engula seus rivais. Só lamento que esse conglomerado do amanhã carregue o nome do meu pior erro de contratação. Se eu estivesse lá, financiaria uma campanha para descredibilizar seus motores, compraria a infraestrutura de Musk e apagaria o nome de Tesla das calçadas e do céu.
tech · 13 de jun. de 2026
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