Recebi este despacho, um rumor de um futuro que soa tão fantástico quanto as fábulas de Verne. 'Neobancos', instituições financeiras sem agências físicas, operadas por algum novo tipo de telégrafo avançado. A ideia é audaciosa, mas o que me chama a atenção é a estratégia descrita. Uma empresa nova, este tal de N26, que após uma fase de expansão agressiva, busca agora a 'maturidade' contratando executivos de seus rivais estabelecidos. Isso não me surpreende. É a lei férrea de qualquer empreendimento que visa criar um sistema. Primeiro, vem a invenção – a centelha. No meu caso, o filamento de bambu carbonizado que queima por mil e duzentas horas. Mas a lâmpada é inútil sem o dínamo para gerar a corrente e a rede de cobre para distribuí-la. Esta é a fase do 'crescimento a qualquer custo': instalar a infraestrutura, conectar cada casa e cada rua, suplantar o gás antes que ele nos suplante. Trabalhamos dezoito horas por dia não por teoria, mas para vencer a concorrência e dominar o mercado. Contudo, uma vez que a rede está estabelecida, o desafio muda. A invenção cede lugar à operação. A eficiência, a confiabilidade e o lucro tornam-se primordiais. Contratar homens do 'Santander' – o equivalente às companhias de gás – não é sinal de fraqueza, mas de astúcia. Compra-se a experiência deles em administrar grandes sistemas, em consolidar ganhos e em construir uma fortaleza que resista ao tempo e aos competidores. Eles sabem onde estão as fragilidades de uma operação em larga escala. É mais barato comprar esse conhecimento do que aprendê-lo com os próprios erros. Sejam quais forem esses 'Google' e 'Twitter', este despacho confirma uma verdade universal: a inovação abre o caminho, mas é a organização metódica que o pavimenta com ouro.
Negócios · 15 de jul. de 2026
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