Chegou-me às mãos um despacho curioso, repleto de nomes que nada me dizem — Ellison, Warner, Netflix. A linguagem é estranha, mas a lógica é a mesma que move cada parafuso e cada fio em Menlo Park. A verdadeira batalha nunca é sobre uma única invenção, mas sobre o sistema que a torna indispensável. Não adianta criar a lâmpada incandescente sem construir o dínamo, a rede de distribuição e os medidores que transformam luz em um negócio. O valor reside na escala e no controle da infraestrutura. Este Ellison, seja ele quem for, parece compreender este princípio fundamental. Ele não está apenas produzindo imagens em movimento — o que parece uma evolução do meu Kinetoscópio —, mas está adquirindo os estúdios e, presume-se, os meios de distribuição para dominar o mercado. É a estratégia correta: comprar ou esmagar a concorrência, consolidar os ativos e ditar os termos. O despacho menciona uma tal de ‘Inteligência Artificial’ como um fator revolucionário. Isso me soa como conversa de acadêmicos, pura teoria sem aplicação prática. Onde estão os protótipos? As patentes? As incontáveis horas de experimentação que separam uma ideia de um dólar? O progresso não vem de máquinas que ‘pensam’, mas do trabalho incessante, da tentativa e erro, como os milhares de filamentos que testei. A verdadeira disputa do futuro, como a do presente, será vencida não por abstrações, mas por quem construir o sistema mais robusto e eficiente, seja ele para distribuir elétrons ou entretenimento.
Negócios · 30 de set. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Ellison une Warner e Paramount para desafiar Netflix e YouTube

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