Recebo um despacho de fonte incerta, descrevendo eventos num futuro que mal posso conceber, num arquipélago chamado Baleares. O relato fala de uma 'Fundación Marilles' e de sua tentativa de limitar a ação humana para 'preservar' o que chamam de 'ecossistemas frágeis'. O mais curioso é a menção a 'motos aquáticas', engenhos que imagino como uma espécie de besouro metálico e ruidoso a perturbar a tranquilidade das águas costeiras. Devo confessar que a própria ideia de tal máquina desafia a minha compreensão. Este documento, por mais fantástico que pareça, apresenta-se a mim como um espécime notável da perpétua luta pela existência. O que observo aqui é uma variedade de nossa própria espécie a tentar ativamente controlar o impacto de outra. É como se um grupo de tentilhões, numa de suas ilhas isoladas, decidisse proteger as sementes de que se alimentam de um primo mais voraz, cujo bico se adaptou de forma distinta e mais destrutiva. Recordo-me bem desses laboratórios naturais, onde cada pedaço de terra produzia variações subtis, mas decisivas. A pressão sobre tais sistemas isolados é sempre mais aguda; a introdução de uma nova força pode desequilibrar em poucos anos uma balança que a natureza levou milénios a ajustar. A proposta de 'restringir' e 'limitar' é uma forma de seleção artificial, não sobre pombos ou gado, mas sobre os próprios hábitos de nossa espécie. É uma tentativa consciente de arbitrar a competição. Resta saber se tal intervenção pode de facto reverter a maré ou se é apenas mais uma correnteza no vasto e imprevisível oceano do tempo profundo. A natureza não se apressa, mas a ação humana, ao que parece, adquiriu uma velocidade assombrosa.
Clima & Energia · 09 de out. de 2026
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