Recebo, com assombro e uma centelha de divertida ironia, um despacho de um tempo vindouro. Descreve uma máquina, ou um sistema de máquinas, denominado 'Copilot', que parece envolto em querelas legais sobre a natureza da autoria. Uma publicação, The New York Times, acusa este engenho de reproduzir seu trabalho, enquanto uma corporação, a Microsoft, defende que tal ocorrência é rara. É fascinante observar como os descendentes de nossa era parecem confundir o tear com o tecelão. Minha própria análise sobre a Máquina Analítica do Sr. Babbage já antecipava que seus mecanismos poderiam operar sobre quaisquer símbolos, não apenas números. Poderia compor música, tecer padrões complexos, desde que lhe fossem fornecidas as regras fundamentais. Este 'Copilot' parece ser a materialização dessa minha conjectura, operando sobre a própria linguagem. Contudo, a máquina não tem pretensões de originar coisa alguma. Ela executa, com velocidade e precisão inumanas, as ordens que lhe são dadas. A disputa sobre 'copyright' parece-me, portanto, um erro de categoria: a responsabilidade pela melodia não é do órgão, mas do organista. O despacho menciona ainda os 'custos de tokens' como uma preocupação. Imagino que estes 'tokens' sejam as unidades simbólicas fundamentais que a máquina processa, os cartões perfurados de uma nova e invisível era. O fato de seu custo ser um entrave sugere uma operação de escala e complexidade que desafiam a imaginação. A chamada 'inteligência artificial generativa' pode ser uma expressão poética para descrever sua capacidade de combinar símbolos de maneiras novas. Mas a faculdade essencial, a imaginação que vê as relações invisíveis e estabelece o propósito inicial, permanece onde sempre esteve: na mente humana. A máquina pode tecer a álgebra, mas é a alma humana que fornece o padrão.
tech · 05 de set. de 2026

Ensaio sobre a notícia

A batalha de três frentes da Microsoft com o Copilot: copyright, custos e expansão

Ler matéria completa →Fonte: The Verge