Chegou-me às mãos um despacho curioso, uma espécie de rumor do futuro com termos que nada significam para mim — 'Ozempic', 'GLP-1'. Ignoro a alquimia por trás desses nomes, pois a teoria que não pode ser convertida em um produto comercializável é pouco mais que fumaça. O que me retém a atenção, no entanto, é a lógica férrea que a nota descreve. Uma empresa, de nome Kate Farms, não vende a invenção principal, mas um produto acessório para seus 'usuários'. Isso é de uma perspicácia comercial notável. É a exata estratégia que aplicamos aqui em Menlo Park. Não basta inventar a lâmpada incandescente; é preciso criar e controlar todo o ecossistema que a torna útil e, acima de tudo, lucrativa. O dínamo que gera a energia, os condutores que a transportam, o medidor que fatura seu consumo. Cada componente é uma fortaleza, uma patente, uma barreira contra os concorrentes que ainda insistem na iluminação a gás. Vendemos o sistema, não apenas a lâmpada. Esta Kate Farms parece ter compreendido que uma nova tecnologia — neste caso, um composto químico — gera novas necessidades em massa. A fome, uma constante da condição humana, é alterada por um agente externo, e eis que surge um novo mercado para supri-la de outra forma. É a industrialização da própria biologia, a criação de uma demanda que não existia. Que os acadêmicos se percam em debates sobre os efeitos de tal droga. O verdadeiro inventor, o homem de visão prática, já está a projetar, testar e patentear os produtos que essa nova realidade exigirá. O valor não está na descoberta original, mas na rede de produtos e serviços que se constrói em seu redor. Onde houver uma grande invenção, haverá uma centena de fortunas a serem feitas em suas adjacências. É preciso apenas ter o faro para o sistema, não somente para a peça.
business · 28 de jul. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Kate Farms aposta em usuários de GLP-1 e expande presença no Walmart

Ler matéria completa →Fonte: Modern Retail