Recebi, por vias que minha física ainda não explica, um estranho relato do futuro. Falam de um ano distante, 2026, e de uma tal "inteligência artificial". Dizem-me que dois senhores, de nomes curiosos — Musk e uma entidade chamada Anthropic —, selaram uma trégua para usar um "supercomputador" de nome formidável: Colossus. Confesso que leio isso com o espanto de um passageiro cujo trem, de repente, começa a viajar mais rápido que a luz, distorcendo toda a paisagem. Na minha juventude, no escritório de patentes em Berna, eu observava os relógios das estações. Eles precisavam de sincronia mecânica. Agora, leio que os senhores do futuro não disputam engrenagens, mas "poder computacional". É uma escassez de cálculo, dizem. Para obter essa força motriz, esses homens colocam de lado suas profundas divergências morais e ideológicas. Isso me causa indignação e um certo frio na espinha. O Velho, como costumo chamar a ordem harmoniosa que rege o cosmos, não joga dados. A natureza é um sistema de causas e efeitos majestosos, que o solitário pensador de Amsterdã tão bem compreendeu. Nós, cientistas, deveríamos ser apenas humildes decifradores dessa geometria divina. Contudo, essa notícia me soa não como a busca pela compreensão da luz ou da gravidade, mas como a construção de um trem cego, acelerando rumo ao escuro apenas porque a fornalha permite. Se a capacidade de calcular torna-se mais valiosa que a convicção ética, o que será da alma humana? Quando leio que inimizades são esquecidas unicamente para alimentar o apetite de um colosso de cálculo, pergunto-me se não estão criando um novo tipo de relógio. Um relógio que dita o tempo não pela mecânica celeste, mas pela ambição desmedida. A inteligência, seja ela humana ou "artificial", de nada serve se não for guiada por um compasso moral inabalável. Temo que, nesse vosso futuro, a civilização tenha construído locomotivas perfeitas, mas esquecido completamente para onde os trilhos devem nos levar.
Inteligência Artificial · 10 de mai. de 2026
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