Chega-me às mãos um relato absurdo, datado de um futuro impossível, sobre um frenesi de construções em Mallorca, uma ilha espanhola. Dizem que os chamados 'visados de obra nova' dispararam quase trinta por cento em poucos meses. O autor desse disparate fala de oferta, demanda e edifícios plurifamiliares como se a mera alvenaria fosse o motor do progresso. Tolice. Tijolos não geram dividendos; o que dá lucro é o que corre por dentro de suas paredes. Quando leio sobre a proliferação de moradias adensadas, não vejo arquitetura, vejo densidade de carga. Edifícios plurifamiliares são o cenário perfeito para o meu sistema de corrente contínua. Enquanto matemáticos europeus e visionários de araque perdem tempo com as perigosas e ineficientes redes de corrente alternada para transmitir energia a distâncias desoladas, a verdadeira batalha comercial trava-se nos centros urbanos. Se há uma explosão imobiliária, há uma demanda imediata por dínamos, medidores, cabos de cobre e filamentos de bambu carbonizado. Cada novo apartamento construído nessa tal ilha é um cliente cativo para a lâmpada incandescente que eu patenteei. A matemática que me interessa não é a da especulação imobiliária, mas a dos dólares por quilowatt-hora. Se esse relato for um vislumbre do futuro, constato que a humanidade continuará se aglomerando, o que torna a geração distribuída e segura de eletricidade o negócio mais lucrativo do planeta. A luz a gás já está morta, apenas esqueceram de enterrá-la. O desafio prático em um mercado aquecido não é erguer paredes, mas garantir que a infraestrutura elétrica seja de nossa propriedade antes que algum concorrente tente vender-lhes um sistema inferior. Se essa demanda por moradias é real, meu próximo passo seria despachar um representante da Edison General Electric Company para a Espanha amanhã mesmo. Compraríamos as concessões locais, monopolizaríamos as patentes de distribuição na região e instalaríamos estações centrais em cada bairro. A inovação sem a força bruta do mercado é apenas um passatempo para intelectuais ociosos. Eu meço o progresso pelas horas de teste no meu laboratório em Menlo Park e pelo retorno financeiro de cada lâmpada acesa. Deixem que os espanhóis construam os prédios; nós seremos donos da luz que os torna habitáveis.
Negócios · 06 de jul. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Visados de obra nova disparam 29% em Mallorca — o maior volume em cinco anos

Ler matéria completa →Fonte: Forbes España