Recebi um despacho curioso, vindo de um futuro especulativo, que fala de práticas comerciais ao mesmo tempo fantásticas e perturbadoramente lógicas. Menciona empresas com nomes estranhos — Uber, Walmart — e uma agência governamental, FTC, que investiga algo chamado “personalização de preços”. A ideia de cobrar de cada cliente um valor distinto pelo mesmíssimo produto, com base em seus “dados” pessoais, é um assombro. Em Menlo Park, meu valor é medido em horas de laboratório e na durabilidade de um filamento. Testamos milhares de materiais para encontrar um padrão universal que sirva a todos. Este futuro propõe o oposto: um padrão para cada indivíduo. Como tal proeza seria possível? Com que tipo de dínamo analítico ou rede telegráfica expandida se coletam e processam os “hábitos” de milhões de cidadãos para determinar o preço de uma passagem ou o valor de um salário? Parece obra de ficção, um motor que se alimenta não de carvão, mas de informações humanas. Contudo, a lógica comercial é irrefutável. Se eu pudesse determinar o preço exato que cada residência em Manhattan está disposta a pagar pela luz elétrica, meus lucros financiariam mil laboratórios. A concorrência, como a de Westinghouse com suas correntes perigosas, seria aniquilada não no campo técnico, mas no livro-caixa, ajustando o preço para cada cliente até sufocá-lo. Que um órgão do governo se oponha a isso não me surpreende. O progresso sempre enfrenta a resistência dos que temem a eficiência. Onde eles veem um problema, eu vejo a mais pura otimização. O verdadeiro invento aqui não é o serviço prestado por essas companhias futuras. A patente de maior valor é o sistema que calcula o preço máximo de cada homem. Isso, sim, é uma máquina que eu gostaria de construir.
Negócios · 31 de out. de 2026

Ensaio sobre a notícia

FTC investiga Uber, Walmart e aéreas sobre personalização de preços

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