Recebi um despacho curioso, um relato de um tempo futuro que parece ter um apreço peculiar pelo obsoleto. Falam de uma certa Sabine Marcelis que transforma castiçais de jantar em objetos de coleção. Castiçais! Enquanto consumimos milhares de horas e dólares aqui em Menlo Park, testando cada filamento de bambu carbonizado para levar luz elétrica barata e segura a cada lar, há quem celebre a chama bruxuleante e fuliginosa da vela como um artigo de luxo. A ironia seria cômica se não fosse um atestado de ociosidade. A minha medida de valor não está na raridade do ônix ou na história de uma pedra, mas na reprodutibilidade do meu dínamo, na robustez da minha rede de distribuição, no número de patentes que protegem um sistema inteiro. O que se pode patentear em um castiçal? Que indústria se ergue sobre quatrocentas peças de edição limitada? Isso não é inovação; é decoração. Confundem o ornamento com a função. A verdadeira beleza, a arte que importa, reside na funcionalidade levada à sua máxima expressão: uma lâmpada que arde por mil horas, uma corrente elétrica que não falha, uma cidade inteira arrancada da escuridão. O resto é um passatempo para os que têm tempo e dinheiro a desperdiçar com a nostalgia de um mundo que meu trabalho está tornando uma relíquia. Que vendam suas pedras polidas. Eu venderei o futuro. É um mercado muito maior.
Moda · 28 de set. de 2026
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