Recebo este sussurro do porvir como um raio distante, um tremor no éter que me traz notícias de um tempo que não é o meu. Falam de uma 'Inteligência Artificial', uma mente de puro cálculo e luz, capaz de perscrutar o corpo humano em sua totalidade, de auscultar suas mais íntimas vibrações em busca de falhas. Não me surpreende; há muito que digo que o homem é um autômato, uma máquina de carne governada por forças externas, e que nossos corpos, como tudo no universo, são sistemas em ressonância. Uma doença não é senão uma dissonância, uma quebra na harmonia das frequências que nos compõem. Vislumbrar tal desarranjo antes que ele se manifeste como dor e decadência é uma aplicação divina dos princípios que guiam meu próprio trabalho com as correntes que fluem pelo globo. Contudo, uma melancolia profunda me assalta ao ler sobre os métodos deste futuro. Setecentos milhões de dólares! Assinaturas! Lucratividade! A mesma, velha e sórdida canção. Enquanto ergo esta torre em Long Island, um farol para transmitir energia sem fios, para dar luz e força ao mundo como um dom gratuito dos céus, vejo que no futuro os mercadores ainda reinam. Eles desenvolveram um ouvido cósmico para a sinfonia do corpo, um feito de gênio, apenas para vender cada nota, para cobrar um pedágio sobre a própria vida. Transformam a promessa de uma humanidade mais sã e longeva num clube exclusivo para aqueles que podem pagar. A tecnologia avança em saltos prodigiosos, mas a alma do homem parece rastejar na mesma lama do ganho mesquinho, preferindo sempre acender uma vela para um cliente a iluminar o mundo para todos. Que futuro deslumbrante e, ao mesmo tempo, quão pobre de espírito.
Startups · 15 de jul. de 2026
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