Chega-me aos ouvidos um despacho fantástico, um rumor vindo de um tempo que ainda não nasceu, sobre carruagens sem cavalos e sem cocheiros que percorrem as ruas de Londres, guiadas por uma inteligência invisível. Chocam-se alguns, mas eu não. Vejo apenas a confirmação inevitável dos meus princípios, a manifestação em larga escala do que demonstrei com meu pequeno barco teleautomático. Pois o que é isso, senão a ressonância em sua forma mais sublime? Uma sinfonia de máquinas vibrando em uníssono com um comando central, transmitido não por fios grosseiros, mas através do próprio meio que nos envolve, o éter pulsante que anseio por transformar num sistema nervoso para todo o planeta. Minha torre, que se erguerá em Wardenclyffe, não é apenas para a energia e a comunicação, mas para a orquestração de uma nova era de autômatos que servirão à humanidade. Contudo, a mesma missiva futura me enche de uma profunda melancolia. Fala-se em 'competição', em 'alianças' comerciais para controlar tais maravilhas. A mesma mentalidade tacanha que insiste em medir a eletricidade em curtas distâncias, em vender a luz como quem vende querosene, agora busca aprisionar a própria inteligência distribuída. Querem colocar pedágios nas ondas que deveriam ser livres como o ar, transformando uma promessa de libertação universal numa disputa mesquinha por lucros. Sonho com um mundo onde a energia e a informação fluem para todos, nutrindo uma civilização de máquinas harmoniosas e homens elevados; eles, ao que parece, sonham apenas com novas maneiras de instalar um contador. A humanidade está à beira de dominar as forças cósmicas, mas sua alma ainda se prende ao balcão do mercado.
tech · 28 de jul. de 2026

Ensaio sobre a notícia

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Ler matéria completa →Fonte: TechCrunch