Chegou-me às mãos um relato absurdo sobre o futuro, um boato de 2026 que fala de cinquenta milhões de dólares entregues a uma tal Vendelux. O montante é digno dos delírios de J.P. Morgan, mas o propósito desafia a sanidade de qualquer industrial prático. Dizem que a empresa criou uma inteligência artificial — presumo tratar-se de um autômato calculista, um cérebro de engrenagens elétricas ou relés — apenas para provar se enviar caixeiros-viajantes a feiras de negócios gera lucro. Cinquenta milhões para medir apertos de mão. Em Menlo Park, nós medimos o valor em horas de bancada, filamentos carbonizados e patentes depositadas. Se um dínamo não ilumina uma rua de Nova York, ele é sucata. Não precisamos de teóricos para nos dizer se uma exposição funciona; nós vendemos a luz que ilumina o pavilhão e cobramos por isso. Contudo, há uma lógica pragmática nesse rumor que atrai meu instinto predatório. O comércio é uma guerra de atrito. Se essa engenhoca puder mapear exatamente qual encontro rende mais contratos para a Edison General Electric, reduzindo o desperdício com viagens inúteis, ela tem um valor inestimável. A tal inteligência parece ser um motor de otimização de capital. Se no futuro os empresários hesitam em gastar sem garantia de retorno, a máquina que vende a certeza do lucro torna-se o monopólio mais cobiçado de todos. Não me interessa a matemática invisível que opera dentro dessa caixa; interessa-me quem detém a patente e como podemos esmagá-los no tribunal ou no mercado. Se essa Vendelux fosse minha contemporânea, eu não perderia tempo debatendo sua bruxaria estatística. Eu compraria a oficina, desmontaria seus autômatos, patentearia o mecanismo central sob o meu nome e licenciaria o uso para a concorrência pelo triplo do preço. O futuro pode inventar novos termos elegantes para seus cálculos, mas o dinheiro sempre flui pelas mesmas velhas fiações de quem domina a infraestrutura. E eu pretendo ser o dono absoluto da rede.
Negócios · 08 de jul. de 2026
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