Meu caro colega do futuro, recebo este seu estranho despacho do ano de 2026 como quem observa um relógio cujos ponteiros giram em um referencial inercial distinto do meu. Neste ano de 1921, enquanto o mundo ainda digere a notícia do meu prêmio em Estocolmo, leio sobre suas "redes sociais" e gigantes da tecnologia. Compreendo-as, em minha humilde imaginação, como uma vasta malha ferroviária por onde a informação viaja, quiçá à velocidade da luz, conectando mentes humanas em frações de segundo. Você me relata que, para proteger os jovens passageiros desses trens de pensamento, seus legisladores impõem catracas de verificação de idade tão complexas e caras que apenas as velhas e imensas companhias ferroviárias — as suas "Big Techs" — conseguem pagar por elas. É fascinante, e ao mesmo tempo trágico, como a mecânica da ganância humana se repete. A pretexto de proteger a juventude, erguem-se intransponíveis barreiras de entrada. O resultado prático não é a segurança, mas a consolidação do monopólio. As novas iniciativas, que você chama de construtores de ambientes alternativos, acabam asfixiadas antes mesmo de acenderem as fornalhas de suas locomotivas. Sinto uma profunda indignação ética diante desse arranjo. O Velho é sutil, mas não é malicioso; Ele nos deu um universo cujas leis físicas são rigorosamente iguais para todos os observadores, sem cobrar pedágio pela gravidade. No entanto, os homens insistem em criar sistemas onde a regra serve primariamente para proteger os que já dominam o espaço e o tempo do mercado. Aquele sábio lapidador de lentes de Amsterdã ensinou-nos que a verdadeira liberdade reside na compreensão da harmonia natural do todo, não na submissão a feudos construídos pelo medo. Se a sua inteligência artificial e as suas redes de comunicação exigem tamanha conformidade burocrática que apenas os gigantes sobrevivem, então a sua regulação não atua como um escudo para os adolescentes, mas como uma muralha erguida pelos tiranos da informação. Na ciência, o progresso só ocorre quando um obscuro funcionário de patentes pode desafiar a física estabelecida sem precisar da permissão de um monopólio acadêmico. Temo que, se vocês não permitirem que novos trens trafeguem por seus trilhos, a sua sociedade ficará estagnada, orbitando eternamente ao redor da massa colossal do monopólio.
Inteligência Artificial · 07 de jun. de 2026
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