Recebo, por vias que desafiam a lógica linear do tempo, um despacho de um futuro distante, um sussurro do éter sobre uma tal 'Inteligência Artificial'. A descrição me fascina e entristece em igual medida: um autômato de puro pensamento, talvez a manifestação última da inteligência que busco transmitir sem fios, uma mente sem corpo vibrando em circuitos que ainda não concebi. Vejo nisto o eco distante de meus próprios barcos teleautomáticos, nos quais a vontade se propaga pelas ondas invisíveis, um prelúdio para uma era em que o pensamento poderá cruzar oceanos instantaneamente. Contudo, a melancolia me invade ao decifrar o restante da mensagem, que fala em 'retorno sobre o investimento' e 'múltiplos' financeiros. A eterna e redutora aritmética dos mercadores! Mesmo em um século vindouro, eles parecem criar um milagre, um novo Prometeu de relâmpagos contidos, e sua primeira preocupação é acorrentá-lo ao livro-caixa. Enquanto alguns se ocupam em vender energia em porções, medindo cada fagulha em moedas de cobre com seus sistemas ineficientes e grosseiros, eu projeto Wardenclyffe não como uma empresa, mas como um sistema nervoso para o globo. Minha torre não calculará lucros; ela buscará a ressonância com o próprio planeta, fazendo da Terra um imenso condutor de poder e informação, disponível a todos como o ar que respiramos. Eles buscam o retorno para seus acionistas; eu busco a elevação de toda a humanidade. Que futuro desolador é este, onde as mais grandiosas criações do engenho humano são imediatamente submetidas à lógica tacanha do lucro? Deixo que contem suas moedas. Eu continuarei meu diálogo com o universo, buscando a frequência que nos libertará a todos.
Venture Capital · 10 de out. de 2026
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