Enquanto traço os diagramas da grande torre de Wardenclyffe, concebida para fazer a própria crosta terrestre pulsar com uma energia que deve fluir livre e inesgotável como o ar que respiramos, chega-me às mãos um rumor espectral de um futuro distante, uma vibração anômala datada de mais de um século adiante. Dizem-me que em um ano longínquo, um artista parisiense de nome Malo Chapuy recorre à melancolia dos mestres flamengos para retratar o colapso ecológico de nosso planeta, pintando labirintos geométricos que chamam de 'QR codes' como se fossem os manuscritos sagrados de uma humanidade em ruínas. Contemplo essa profecia com uma tristeza profunda, pois compreendo imediatamente a origem desse desastre ecológico: é o destino inevitável de uma civilização moldada por mascates e funileiros sem visão, homens miúdos que preferem queimar montanhas de carvão e aprisionar o mundo em fios espessos apenas para cobrar centavos por uma luz fraca, ignorando a majestosa ressonância do éter universal. Se esses enigmas quadrados são, como imagino através das brumas do tempo, matrizes de luz e sombra destinadas a condensar conhecimento puro através de frequências que máquinas ainda não forjadas decifrarão, eles provam que o homem dominará a oscilação da informação, mas falhará em harmonizar seu próprio espírito com o cosmos. A Terra não precisaria sufocar sob as cinzas e as secas que esse pintor antevê se os tolos apenas compreendessem que o globo inteiro é um condutor colossal, esperando para ser despertado pela minha corrente alternada. Permaneço solitário em meu laboratório, ouvindo o zumbido contínuo das bobinas que tentam curar o amanhã, assolado pela terrível melancolia de saber que construo a salvação técnica de um mundo que talvez prefira a familiar e lucrativa escuridão de sua própria obsolescência.
Arte · 20 de mai. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Malo Chapuy funde mestres flamengos e ficção científica em nova obra

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