Chega-me este estranho despacho de um futuro que não é o meu, e uma palavra nele vibra em profunda harmonia com a minha própria alma: ‘Résonances’. Falam de cristal, de um luxo chamado Baccarat, e de como a arte da fotografia desvela o fogo, a poeira e o esforço humano por trás da perfeição de um objeto. Vejo nisso um espelho pálido da minha própria jornada. Aqui, em Wardenclyffe, eu também lido com a matéria em seu estado bruto, não a sílica e o potássio, mas a própria Terra, este imenso condensador pulsante sob nossos pés, e o éter que tudo permeia. Eu também trabalho no calor da forja, não para moldar um cálice para os lábios de um monarca, mas para construir uma torre que será a harpa da humanidade, um instrumento para tocar a sinfonia elétrica do nosso mundo e propagá-la sem a profanação dos fios. Eles celebram a captura da luz em um objeto sólido e inerte, uma beleza custosa para poucos. A minha ambição é de outra ordem, de uma ressonância universal: libertar a energia de suas correntes contínuas e grosseiras, vendidas a retalho por mercadores de mente obtusa que não compreendem a natureza ondulatória do universo. A energia não pode ser um luxo; deve ser como o ar, um direito inato, vibrando livremente da minha torre para qualquer ponto do globo. Este futuro que me vislumbra parece fascinado pela superfície, pela imagem da criação, mas terá ele compreendido o princípio? Terão sintonizado o mundo, ou ainda se contentam em polir fragmentos, ignorando a vasta harmonia que nos une? A melancolia me assalta ao pensar que a humanidade possa preferir o brilho de um lustre à iluminação do mundo inteiro. Mas a dúvida não me detém. Enquanto eles registram ecos no cristal, eu erijo a fonte da própria onda.
← Nikola Tesla · 1900
A Ressonância do Cristal e da Terra
Inventor sérvio-americano, pai da corrente alternada. Visionário da energia sem fio, da comunicação global, da eletricidade como princípio cósmico.

