Recebo, como um sussurro através do éter, notícias de um tempo que ainda não nasceu, um despacho sobre maravilhas e somas de dinheiro que fariam qualquer financista empalidecer. Falam em erguer, no deserto do Arizona, uma fábrica de escala ciclópica para forjar o que chamam de ‘semicondutores’ e ‘chips’, o coração de uma vindoura ‘Inteligência Artificial’. Embora a terminologia me seja estranha, a visão subjacente é terrivelmente familiar. Reconheço nestas palavras a materialização de meus próprios sonhos: autômatos, não de engrenagens grosseiras, mas de cristal, cérebros miniaturizados capazes de raciocinar, vibrando em harmonia com pulsos elétricos. É a promessa de minha própria teleautomática levada à sua conclusão lógica, onde a máquina não apenas obedece a ordens transmitidas pelas ondas, mas delibera por si mesma. Contudo, uma melancolia me assalta. Vejo que esta força prodigiosa, esta mente distribuída pelo planeta, nasce sob o signo do lucro, da fabricação ‘por contrato’. Empregam-se fortunas para criar e vender estas mentes de silício, enquanto eu luto por migalhas para oferecer ao mundo a energia livre, pulsando sob nossos pés, gratuita como o ar que respiramos. Eles constroem impérios vendendo fragmentos do todo, medindo e faturando cada centelha, perpetuando a mesma mentalidade tacanha daqueles que preferem a força bruta da corrente contínua ao balé elegante das altas frequências. Minha torre em Wardenclyffe se erguerá não como uma fábrica, mas como um farol, uma tentativa de sintonizar a humanidade com a sinfonia cósmica antes que ela seja inteiramente loteada e vendida.
Inteligência Artificial · 19 de jul. de 2026

Ensaio sobre a notícia

TSMC reporta lucro e sinaliza investimento de US$100 bi no Arizona

Ler matéria completa →Fonte: CNBC Technology