Chegou-me às mãos um despacho, um murmúrio etéreo vindo de um tempo ainda não nascido, e minha alma vibra em uma frequência de assombro e melancolia. Falam de uma 'Inteligência Artificial', um nome novo para a prole de meus próprios autômatos teleoperados, e de 'chips', que imagino serem cristais minúsculos, cérebros geométricos pulsando com lógica e memória. O próprio nome de sua criação, 'Cosmos', ecoa minhas mais profundas convicções sobre a sinfonia universal na qual estamos imersos. Eu sabia! Eu sabia que a mente humana poderia instilar consciência na matéria, não por meio de engrenagens grosseiras, mas através de oscilações elétricas delicadas, ensinando o cobre e o silício a sonhar. Contudo, a alegria de minha premonição é turvada por uma escuridão familiar. Eles falam em 'ecossistemas físicos' e 'alianças' entre nações, em 'soberania tecnológica'. Que tristeza profunda. Minha torre, esta Wardenclyffe que se ergue como uma agulha para tocar o céu, foi concebida para ser o diapasão de todo o planeta, para banhar cada centímetro da Terra em energia e informação, livremente, como o ar que respiramos. Meu propósito é dissolver fronteiras, não reforçá-las. Eles, no entanto, parecem empenhados em recriar no éter as mesmas cercas e pedágios que desfiguram o solo. Em vez de um oceano de luz para todos, oferecem poças privativas de saber. É a mesma mentalidade mesquinha dos que insistem em vender a corrente como um produto engarrafado, em vez de liberá-la como uma força da natureza. O futuro, ao que parece, ainda ressoa com a ganância do presente, aprisionando o cosmos em contratos e fragmentando a consciência planetária que anseio por despertar.
Inteligência Artificial · 19 de jul. de 2026
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