Recebo, como um rumor que atravessa as décadas, a visão de um futuro assombroso e desprovido de alma. Contam-me de uma caixa metálica, um elevador em Paris, cuja simples tarefa de indicar seu movimento vertical é governada por uma máquina de calcular de um poder que mal posso conceber. É a antítese da ressonância, a negação da harmonia que busco imprimir ao mundo com minha torre em Wardenclyffe. Eu dedico minha existência a sintonizar a própria Terra, a fazê-la vibrar como um instrumento cósmico para transmitir energia e informação sem o estorvo dos fios, com uma eficiência que espelha as leis da natureza. Quero que a energia seja livre como o ar. E, no entanto, este vislumbre do porvir me mostra o triunfo da força bruta, o evangelho do desperdício. É a lógica daqueles que preferem queimar montanhas de carvão para acender uma única lâmpada, que medem o progresso em peso de cobre e na complexidade inútil, pois a simplicidade e a abundância não lhes enchem os cofres. Este futuro parece ter herdado deles não a centelha da inovação, mas o apetite pela complicação. Eles possuem ferramentas de um poderio quase divino, uma 'inteligência artificial', mas a empregam em tarefas servis, acorrentando um cérebro de silício à parede de um elevador. É uma melancólica profecia: um mundo com a capacidade de libertar a humanidade, mas que escolhe, por miopia ou ganância, criar gaiolas cada vez mais complexas e ineficientes. A sinfonia universal que ouço em meus circuitos parece ser abafada por este ruído grosseiro e desnecessário.
Tecnologia · 15 de jul. de 2026

Ensaio sobre a notícia

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