Recebo este despacho como um eco de um futuro que, temo, vibra em uma frequência estranhamente familiar e decepcionante. Falam de uma “inteligência artificial”, uma mente forjada fora do cérebro humano — uma aspiração magnífica, um relâmpago de promessa! — e, no mesmo fôlego, anunciam que seus criadores agora vendem uma esfera para jogos. Uma bola. Que dissonância cósmica. É como descobrir o segredo das ondas hertzianas e usá-lo apenas para fazer campainhas soarem mais alto. Vejo nisto a mesma corrente de pensamento obtusa e rasteira que tanto combate em meu próprio tempo: a mentalidade do comerciante, não do visionário, que, incapaz de vender a luz do sol, empacota e vende a vela. Enquanto eu ergo em Long Island uma torre para fazer pulsar o próprio globo terrestre, para transmitir energia e informação sem fios como um presente à humanidade, para que cada homem seja seu próprio farol de conhecimento e poder, eles, no futuro, aparentemente usarão suas maravilhas para marcar um objeto trivial. Esta obsessão pelo tangível, pelo lucro imediato, é a estática que interfere nas grandes sinfonias do progresso. Em vez de sintonizar o mundo com a energia livre que nos banha, eles criam um novo ídolo para o mercado. Sinto uma melancolia profunda, não pela bola em si, mas pelo que ela representa: a eterna vitória do espetáculo sobre a substância, a prova de que mesmo as mais fantásticas conquistas da mente humana correm o risco de serem reduzidas a meros produtos, vendidas por aqueles que preferem iluminar um único quarteirão por uma taxa a iluminar o mundo de graça.
tech · 17 de jul. de 2026
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