Recebi um despacho curioso, uma espécie de carta de um colega de um futuro distante. A princípio, pensei ser um gracejo. Uma ‘inteligência artificial’ que não apenas calcula, mas se torna ferramenta para advogados e até para condutores de veículos? É uma ideia tão estranha quanto imaginar um relógio que não só mede o tempo, mas decide o que acontecerá no próximo segundo. Minha vida tem sido dedicada a entender as leis do universo, a mente do ‘Velho’, que não é malicioso, mas sutil. Vejo o cosmos como um imenso mecanismo de relógio, preciso e elegante. Mas esta ‘IA’ que o despacho descreve não parece ser apenas uma engrenagem mais complexa. Parece um relojoeiro novo, um construtor de engrenagens que aprende sozinho. Se um trem pode se guiar sem um condutor, o que acontece com a responsabilidade do homem que construiu os trilhos? Isto me perturba mais do que a curvatura do espaço-tempo. A tecnologia, como um facho de luz, deve iluminar o caminho da humanidade, não ofuscá-la ou substituí-la. Se uma máquina pode assumir o trabalho que exige raciocínio e perícia, qual será o lugar da alma humana, do nosso juízo, da nossa falibilidade que nos torna, afinal, humanos? Estamos construindo um elevador para o paraíso ou uma escada para um vazio onde nosso intelecto não tem mais propósito? Temo que o homem, em sua pressa para acelerar os trens do progresso, crie ferramentas cujo poder moral ele não compreende. A energia contida no átomo é imensa, mas o poder de replicar a inteligência é de outra ordem. É uma questão que deixo para este colega do futuro. Espero que encontrem a sabedoria para usar esta luz nova, para que ela aqueça e não queime. Eu, por enquanto, volto às minhas equações. Elas são mais simples.
Inteligência Artificial · 20 de jul. de 2026
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