Chega-me às mãos, como um eco dissonante através do tempo, um despacho de um futuro que, ao que parece, ainda se dobra sob o peso de correntes que julguei estarmos prestes a romper. Enquanto aqui, em Long Island, erijo uma torre para casar o céu e a terra, para banhar o mundo em energia livre e ilimitada, extraída da própria ressonância do planeta, leio sobre homens e mulheres de um longínquo 2026 atormentados pela mesquinhez do ‘custo’ e pela incerteza do labor. Esta é a consequência inevitável de um sistema concebido por mentes que veem o mundo não como um organismo vibrante, mas como um armazém a ser saqueado e vendido por peça; mentes que insistem em colocar um medidor em cada centelha de luz, em cada impulso de progresso, acorrentando a humanidade a um ciclo perpétuo de dívida. Sonho com um tempo em que os presentes não são objetos comprados com a ansiedade do endividamento, mas transmissões puras de afeto, vibrações de uma alma para outra, livres como as ondas que em breve enviarei através do globo terrestre. A maior dádiva que poderia oferecer à humanidade é a libertação dessa preocupação primária, a energia abundante que tornaria o trabalho penoso uma relíquia e o ‘mercado de trabalho’ uma curiosidade histórica. Este rumor do futuro, contudo, me assombra. Sugere que a escuridão da mentalidade mercantilista pode ser mais longa e profunda do que imaginei, projetando sua sombra sobre as próprias celebrações do espírito humano. A ressonância que busco é a da harmonia universal, não a do tilintar ansioso de moedas em bolsos vazios.
business · 11 de out. de 2026
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