Chegou às minhas mãos um relato absurdo, supostamente de um futuro distante, sobre um tal pavilhão espanhol em Frankfurt. Falam de uma "fabricação digital" capaz de moldar dezesseis mil peças cerâmicas para montar uma estrutura itinerante. Falam de homenagens a arquitetos e de um conceito vago chamado "sustentabilidade". Li o documento duas vezes e atirei-o na gaveta de bizarrices. A arte pela arte é um desperdício de suor e capital. Contudo, a mecânica por trás dessa fantasia capturou minha atenção comercial. Se existe um maquinário capaz de processar e padronizar dezesseis mil módulos de cerâmica com tamanha precisão mecânica — ou "digital", seja lá qual for a força motriz dessa engenhoca —, estamos diante de uma revolução industrial mal aproveitada. A cerâmica não é material para enfeitar pavilhões de exposições europeias; é o isolante perfeito. Nos laboratórios de Menlo Park e nas linhas de montagem da Edison General Electric Company, gastamos fortunas e milhares de horas para isolar nossos dínamos, chaves e soquetes. Nossa rede elétrica, que logo iluminará cada esquina civilizada do globo, depende de isoladores cerâmicos confiáveis. Se esse tal ggstudio inventou um método de produção em massa tão refinado, eles estão sentados sobre uma mina de ouro e brincando de fazer esculturas. Eu não daria um centavo pela estrutura itinerante deles, mas compraria a patente do processo de fabricação amanhã mesmo. O valor de uma invenção não reside na estética ou na homenagem a construtores do passado. O valor está na utilidade, na escala e no monopólio. Quero saber que tipo de motor aciona essa fabricação digital. É corrente contínua? Quantos quilowatts consome? Quantos dólares custa cada peça ao sair da matriz? Se o futuro reserva máquinas que desenham e moldam matéria física sozinhas, o homem que patentear a força que as alimenta controlará a indústria do próximo século. Deixem que os espanhóis fiquem com a poesia e os tijolos de barro. Eu ficarei com o controle das patentes e a infraestrutura que eletrifica a fábrica.
Design · 10 de jun. de 2026
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