Chegou-me às mãos um despacho curioso, um rumor de um futuro distante sobre uma tal de 'Inteligência Artificial' encapsulada numa ferramenta chamada ChatGPT. Descrevem-na como uma fábrica de textos, e a acusação é que ela padroniza a escrita, eliminando o que chamam de 'identidade pessoal'. Ora, meu trabalho em Menlo Park é precisamente este: criar fábricas. Padronizamos a produção de luz, de som. A uniformidade não é um vício; é o alicerce da indústria e do progresso. Qual o valor de mil lâmpadas diferentes se nenhuma delas dura o suficiente para justificar o custo? O que importa é um sistema que funciona, que pode ser replicado e vendido em escala. Se este ChatGPT torna a comunicação mais eficiente, qual o problema em sacrificar a 'diversidade estilística'? É uma queixa de literatos, não de engenheiros. Para mim, a questão é outra: essa máquina transpira? Eu e minha equipe testamos milhares de filamentos. Cada fracasso foi um passo adiante. A inspiração é 1%, a transpiração, 99%. Essa 'IA' parece se alimentar da transpiração alheia, recombinando o que já foi escrito. É um fonógrafo que, em vez de apenas reproduzir, rearranja as palavras que gravou. Útil, talvez, para redigir um contrato ou um relatório técnico. Mas a invenção genuína, a ideia que vale uma patente e cria um mercado, nasce do vácuo da necessidade, não da abundância de textos pré-existentes. Se essa tecnologia puder ser controlada, patenteada e usada para acelerar o registro de minhas próprias invenções, então ela tem valor. Caso contrário, é uma curiosidade, um entretenimento para teóricos que têm tempo a perder com a beleza da prosa enquanto eu tenho cidades inteiras para iluminar.
Tecnologia · 01 de set. de 2026

Ensaio sobre a notícia

ChatGPT, a fábrica de textos sem rosto

Ler matéria completa →Fonte: Fast Company