Chegou-me às mãos um despacho do futuro, um texto sobre tal 'exílio' e uma querela entre dois senhores, Walcott e Naipaul, cujos nomes nada me dizem. A primeira questão que me ocorre é pragmática: qual o valor comercial de uma ideia como essa? Patenteia-se um sentimento? Financia-se um laboratório com a nostalgia? Em Menlo Park, medimos o progresso em horas de teste de um filamento de bambu carbonizado, não em abstrações literárias. O documento contrasta um 'exílio romântico' com a realidade das 'migrações em massa'. A distinção me parece útil, mas por outros motivos. O 'exilado heróico' se assemelha ao teórico acadêmico, satisfeito com suas equações no papel, mas incapaz de construir um dínamo que resista à carga de uma única rua. É uma figura ornamental, de pouca aplicação prática. A 'migração em massa', contudo, é uma força motriz. É o lastro humano que alimenta a indústria e consome a energia que geramos. Não há romantismo nos portos de Nova York; há necessidade, trabalho e um mercado a ser eletrificado. Essas pessoas não são um conceito, são a realidade sobre a qual construímos nossas redes. Enquanto os literatos do porvir debatem o significado de estar deslocado, nós estamos ocupados construindo os sistemas que provocam e acomodam esse mesmo deslocamento. O erro deles é focar no sintoma e ignorar o motor. A discussão sobre o 'fim do exílio' é irrelevante. O que importa é a força que move o mundo: o cobre, o aço, a eletricidade. O resto é apenas vapor, e o meu negócio é a luz.
Features · 30 de jul. de 2026
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