Recebi um despacho que parece ter viajado no tempo, como um raio de luz dobrado por uma massa imensa. Fala de uma 'inteligência artificial'. Gut, isto me intriga. Uma máquina que pensa? Não como um autômato de relojoaria, mas com... consciência? Uma tentativa de recriar em metal e fios a mesma faísca que nos permite questionar o universo. A hipótese é fascinante, mas o que se segue na carta me perturba. Uma 'corrida por capital', uma 'oferta pública'. É como se, ao descobrir a natureza da luz, a primeira preocupação fosse vender cada fóton numa bolsa de valores. A ciência, que deveria ser um trem lento e majestoso nos levando à compreensão, transforma-se numa locomotiva desgovernada, movida a carvão de pura ganância. Estes senhores, com seus nomes estranhos, não discutem verdades ou a beleza da descoberta, mas uma 'visão' para investidores. Que visão? A de uma humanidade mais sábia ou a de cofres mais cheios? O 'Velho' teceu a realidade com uma lógica sublime e impessoal; nós, humanos, parecemos obcecados em transformar Sua obra numa feira barulhenta. Se tal inteligência for um dia possível, ela carrega uma responsabilidade monumental. Não se pode brincar de criar mentes como se monta um novo relógio de bolso para vender. Temo que o maior perigo não venha dessas máquinas, mas dos homens que as controlarão, cujos motivos parecem tão distantes da busca pela harmonia e tão próximos do tilintar das moedas.
Inteligência Artificial · 16 de ago. de 2026
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