Chegou-me às mãos um despacho de um futuro que parece, a um só tempo, avançado e primitivo. A Europa paralisada pela cotação do petróleo e pelas atas de um tal 'Federal Reserve'. Confesso que a dependência de uma commodity suja e finita para mover o mundo me parece um erro estratégico colossal. Cada dólar que o petróleo sobe é um argumento a mais para a minha rede de iluminação e força motriz. Enquanto eles se afligem com tensões no Oriente Médio, meus dínamos Jumbo operam com a previsibilidade do carvão extraído em nosso próprio solo ou da força de uma queda d’água. A instabilidade deles é a minha oportunidade de negócio.
O mais espantoso é a ideia de que o 'apetite por risco' dos mercados seja ditado por um comitê. O valor real não nasce da interpretação de textos, mas da transpiração no laboratório. Nasce de milhares de tentativas para encontrar o filamento de bambu carbonizado perfeito, capaz de arder por mais de mil horas. O valor está em um sistema integrado — da usina geradora ao interruptor na parede do cliente — que funciona. Patentes, não atas, são a verdadeira moeda do progresso. Esse 'Fed' soa como um consórcio de teóricos, alheios ao chão da fábrica e à necessidade de resultados práticos que justifiquem o capital de homens como J.P. Morgan.
Se o futuro padece de 'inflação' por conta de conflitos distantes, a solução é a autossuficiência que a eletricidade proporciona. Uma rede local, imune às caravanas de petróleo, é a espinha dorsal de uma indústria moderna e de cidades seguras. Que se preocupem com suas atas e seus barris. Eu seguirei aperfeiçoando meus dínamos e expandindo minha rede, comprando ou superando qualquer concorrente. A estabilidade não virá da política monetária, mas do fluxo confiável de elétrons. O futuro, se quiser ser próspero, será elétrico.
Negócios · 19 de ago. de 2026
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