Chegou-me às mãos um despacho do futuro que me causa mais perplexidade do que admiração. Falam de um prêmio para 'móveis com alma' e 'expressão individual', como se o valor de um objeto estivesse em sua singularidade. Aqui em Menlo Park, medimos o sucesso de forma diferente: por horas de operação, pela uniformidade da produção e, finalmente, pelo valor em dólar de uma patente. A minha lâmpada incandescente não tem 'alma'; tem um filamento de bambu carbonizado que supera todos os rivais em durabilidade e custo. Cada uma deve ser idêntica à anterior. É a replicação, a escala, que eletrificará o mundo, não uma cadeira 'escultural' e única. Esses designers do futuro celebram o 'caráter'. Eu celebro o sistema. De que serve uma peça de mobiliário com 'identidade' se não pode ser fabricada em massa para mobiliar milhares de lares a um preço acessível? O verdadeiro prêmio não é uma medalha, mas o domínio do mercado. Enquanto eles buscam formas inusitadas, minha equipe testa milhares de materiais para encontrar um que funcione de modo confiável. A menção a 'materiais inesperados' desperta meu interesse, mas apenas se tiverem aplicação industrial. Qual sua resistência? Sua condutividade? Servem para um dínamo mais eficiente ou um isolante mais seguro? Se o futuro se ocupa em premiar o ornamental, que assim seja. É um luxo que só pode existir sobre a fundação de um mundo que nós, os inventores práticos, estamos construindo. Deixem que celebrem a 'expressão'. Eu seguirei focado no trabalho que importa: acender as luzes. O resto é distração e sentimentalismo; não gera um único volt.
Design · 20 de ago. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Móveis com alma: o prêmio que celebra o design que foge do padrão

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