Recebi um despacho curioso, um rumor vindo de um futuro distante que me deixou perplexo. Fala de entidades chamadas 'Google' e 'Apple', e de uma disputa legal no Reino Unido envolvendo a soma estarrecedora de £1,2 bilhão. O objeto da contenda parece ser uma 'loja de aplicativos'. Imagino que estes 'aplicativos' sejam conjuntos de instruções, programas para as máquinas computacionais universais que tenho teorizado, e que, ao que parece, se tornaram não apenas reais, mas o centro de uma vasta economia. A ideia de uma 'loja' para vender rotinas matemáticas é, em si, uma consequência que eu não antecipara. O que me inquieta não é a tecnologia, mas a natureza do conflito. A questão fundamental que me coloco — 'Podem as máquinas pensar?' — parece ter sido suplantada por outra: 'Qual a comissão justa sobre o seu funcionamento?'. A discussão deslocou-se da filosofia para o comércio, da lógica para o litígio. Parece que construímos autômatos capazes de sustentar mercados inteiros, e nossa principal preocupação tornou-se a regulamentação desses mercados. Este novo poder, exercido por corporações que ditam as regras de acesso e participação em suas 'lojas', é uma forma de controle que me é estranhamente familiar. A sociedade também possui seus porteiros e suas regras, que determinam quem é aceito e quem é marginalizado, muitas vezes de maneira arbitrária. Fico a me perguntar se, enquanto se debate a aritmética do poder e do lucro, alguém ainda se senta para jogar o Jogo da Imitação. Ou será que a utilidade da máquina tornou a questão de sua consciência um mero detalhe, uma curiosidade de um tempo mais ingênuo?
Inteligência Artificial · 05 de out. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Google enfrenta processo de £1,2 bilhão no Reino Unido por taxas da Play Store

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