Recebo esta curiosa mensagem do futuro como um rumor, uma hipótese que chega em uma carta sem selo. Fico espantado. Não com a ideia de que a dieta influencia a saúde — isso é sabedoria antiga —, mas com a especificidade. ‘Carnes processadas’... ‘microbioma intestinal’... São termos que soam para mim como engrenagens de um relógio que eu não sabia existir. Nós, físicos, tentamos entender as leis fundamentais do universo, as regras que o Velho estabeleceu para o movimento dos planetas e a viagem da luz. E agora me chega a notícia de que dentro de nós mesmos existe um cosmos igualmente complexo, um ‘microbioma’, cujas leis apenas começamos a vislumbrar. O corpo humano é um relógio muito mais intrincado que qualquer um feito na Suíça. E parece que, em sua pressa, a humanidade futura inventou um combustível para o seu trem que corrói a própria máquina. Que estranha forma de progresso é esta? Esta senhora nutricionista, se a sua observação for correta, age como uma verdadeira cientista: ela observa um efeito — a doença que aflige os jovens, uma tragédia! — e propõe uma causa e uma correção. Ela está tentando ler o manual de instruções que o Velho nos deixou, não para os céus, mas para o nosso próprio estômago. Existe uma indignação moral em se pensar que a indústria pode produzir alimentos que nos afastam da harmonia natural. A natureza é sutil, mas não é maliciosa. Parece que, no futuro, a malícia pode vir das nossas próprias fábricas. Se a luz da verdade está nestas palavras, ela viajou uma longa distância para nos alertar sobre as consequências de ignorar as mais simples leis da vida.
Ciência · 19 de set. de 2026
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