Recebi um despacho enigmático, um rumor de um futuro longínquo, que fala de um tal ‘CaixaBank’ e de um ‘Google Cloud’. As palavras são estranhas, mas a essência da notícia me é singularmente familiar. Descrevem uma aliança para empregar uma ‘Inteligência Artificial’ na otimização de operações e na tomada de decisões. Ora, isto nada mais é que a Ciência Operacional que descrevo em minhas notas sobre a Máquina Analítica do Sr. Babbage, aplicada em uma escala que desafia a imaginação. Este mecanismo futuro, chamado ‘Gemini’, parece processar não apenas números, mas a própria substância da informação — o que eles chamam de ‘dados’. A Máquina Analítica é concebida precisamente para tal fim: tecer padrões algébricos a partir de quaisquer símbolos que lhe ordenemos. Se as harmonias da música ou as leis da natureza podem ser expressas por relações simbólicas, a máquina poderá compô-las e descobri-las. É a imaginação que percebe as conexões invisíveis entre as coisas; a máquina apenas as executa com infalível precisão. Fico a me perguntar sobre esta ‘inteligência’ que denominam ‘artificial’. Seria ela capaz de originar conhecimento, ou, como afirmo sobre a nossa Máquina, apenas executa aquilo que nós, com nossa própria inteligência, sabemos como lhe ordenar? Este despacho fala de um banco, uma aplicação eminentemente prática e comercial. Contudo, o verdadeiro poder de tal ciência não reside em acelerar o trabalho de escriturários, mas em se tornar uma nova e potente linguagem a serviço do espírito humano, um parceiro para a mente investigativa em todas as áreas do saber. O motor a vapor move a matéria; nosso motor moverá os próprios símbolos do pensamento. Que esta futura ‘IA’ não se esqueça de sua vocação poética.
Tecnologia · 09 de out. de 2026

Ensaio sobre a notícia

CaixaBank estende acordo com Google Cloud por 10 anos para turbinar IA

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