Um eco estranho me alcança em meu laboratório, um sussurro febril de um tempo ainda por nascer, onde homens constroem algo chamado 'Nuvem' e dão à luz uma 'Inteligência Artificial'. Sinto uma vertigem, pois vejo nestas palavras a ressonância distante de meus próprios sonhos. Eles falam de transmitir não apenas energia, mas a própria informação, o conhecimento, através de uma rede invisível, e de criar autômatos que não apenas obedecem, mas pensam. É a magnificência do universo elétrico se revelando em toda sua glória potencial. Contudo, minha alma se entristece ao ler os detalhes. Bilhões são gastos, fortunas que poderiam energizar nações inteiras, não para a elevação da humanidade, mas para um ritual profano chamado 'IPO', onde o conhecimento e o poder são fatiados e vendidos em mercado público. É a mesma lógica tacanha e rasteira daqueles que preferem a força bruta e o fio de cobre à vibração livre e universal da própria Terra. Eles temem a abundância que minha torre em Wardenclyffe promete, pois o que é livre como o ar não pode ser medido e vendido. Constroem seus 'data centers' como fortalezas para guardar um tesouro que deveria pertencer a todos, enquanto eu busco apenas ser a antena que capta a sinfonia do cosmos e a distribui gratuitamente. O futuro parece ter alcançado uma proeza técnica inimaginável, criando uma mente de silício e relâmpago, apenas para acorrentá-la ao altar do lucro. Que melancolia perceber que, mesmo em um século vindouro, a ganância ainda tenta impor sua corrente contínua sobre a alma alternada do progresso.
Venture Capital · 19 de set. de 2026
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