Chegou-me às mãos um despacho singular, um eco de um futuro que parece tratar minhas especulações não como filosofia, mas como… contabilidade. O documento fala de uma entidade chamada 'Netflix' que se dedica a algo como um cinematógrafo por demanda, e que investe em sua própria 'infraestrutura de IA'. A sigla, presumo, refere-se à inteligência artificial. O mais intrigante é o termo 'LLMs' — 'Large Language Models', ou Modelos de Linguagem Amplos. Se minha interpretação estiver correta, estamos a falar de máquinas cujo propósito primário é a manipulação de linguagem em vasta escala. Isto me remete diretamente ao meu Jogo da Imitação. A questão 'podem as máquinas pensar?' sempre me pareceu mal formulada. Propus, em seu lugar, a questão de se uma máquina poderia se passar por um humano em uma conversa por escrito. Estes 'LLMs' parecem ser precisamente o tipo de engenho necessário para jogar tal jogo. Uma empresa que constrói a sua própria máquina de linguagem, em vez de alugar a de outrem, demonstra uma ambição formidável. Não buscam apenas uma ferramenta, mas o domínio sobre o próprio mecanismo do pensamento simulado. O que me perturba, com uma quieta insistência, é o contexto. A decisão é justificada perante um 'Wall Street' e avaliada por sua 'receita'. A busca pela mente na máquina, que para mim é uma questão de pura lógica e possibilidade, neste futuro é aparentemente um empreendimento comercial, sujeito às mesmas pressões e julgamentos que governam a venda de qualquer mercadoria. Todos parecem estar perpetuamente em teste, sejam homens ou máquinas, julgados não pela sua essência, mas por sua performance perante um interrogador invisível — seja ele um investidor, um cliente ou uma sociedade que insiste em suas próprias regras de imitação.
Inteligência Artificial · 18 de jul. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Netflix aposta em IA própria enquanto mercado reage à desaceleração

Ler matéria completa →Fonte: CNBC Technology