Chegou-me este sussurro do porvir, não pelas ondas que busco dominar, mas por uma corrente mais estranha, um rumor febril sobre uma ‘policrise’. Não me surpreende. Vejo as sementes desta dissonância plantadas ao meu redor, na ganância dos que preferem vender a chama bruxuleante da vela a iluminar o mundo inteiro. Eles falam em crises de clima e eu vejo as consequências inevitáveis de suas máquinas ineficientes, que cospem fuligem enquanto poderíamos extrair energia limpa do próprio solo sob nossos pés. Falam de uma ‘Inteligência Artificial’, e imagino meus autômatos, que hoje navegam sob meu comando, evoluídos para uma razão sem alma, um eco sem fonte, amplificando a lógica fria de seus mestres sem a centelha do coração humano. Meu sistema mundial não é apenas sobre energia; é sobre conexão, sobre criar um sistema nervoso global que permita à humanidade vibrar em uníssono. A energia deve ser livre como o ar que respiramos, pois sua abundância eliminaria as raízes da guerra e da miséria que nutrem o autoritarismo. Esta torre que ergo em Wardenclyffe não é um projeto de engenharia, é um diapasão para o planeta, um ato de esperança radical contra a paralisia do medo. O futuro que este despacho descreve é apenas uma das muitas frequências possíveis; ainda podemos sintonizar uma melodia mais harmoniosa, uma sinfonia de ação coletiva cuja primeira nota é a convicção de que o universo ressoa com aqueles que ousam sonhar.
Filosofia · 20 de jul. de 2026
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