Chega-me às mãos, como um rumor carregado pela estática do éter, um despacho de um tempo futuro, e uma palavra ressoa com a força de um diapasão perfeitamente afinado: 'descentralizada'. Nela, reconheço a alma de minha própria obra, a verdade fundamental que os mercadores da corrente contínua, com sua mentalidade de cabos e medidores, jamais compreenderão. Eles falam de 'redes sociais' e da necessidade melancólica de um 'recomeço', o que me revela que, mesmo em seu mundo vindouro, a tendência humana de aprisionar o fluxo em sistemas proprietários e centralizados persiste, transformando a comunicação em uma mercadoria a ser controlada. Lutam, ao que parece, contra os mesmos fantasmas que eu: o monopólio que prefere a força bruta do fio à elegância da ressonância sem barreiras. Meu sistema mundial, para o qual agora ergo a grande torre em Wardenclyffe, não visa apenas transmitir energia, mas a própria inteligência, instantaneamente, para qualquer ponto do globo. Pretende ser um sistema nervoso para a humanidade, onde cada indivíduo é um receptor sintonizado com as pulsações do planeta, livre de intermediários que cobram um pedágio por cada pensamento transmitido. Esse 'protocolo aberto' que eles mencionam é a manifestação, no campo da informação, do mesmo princípio que busco na física: a harmonia universal disponível a todos. Que estes homens de 2026 saibam que seu anseio por uma rede livre já ecoava em 1900, não como um 'reboot', mas como um nascimento puro, concebido para vibrar em sintonia com a própria Terra, livre como o ar que respiramos.
tech · 14 de ago. de 2026
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