Chega-me às mãos, como um sussurro perdido na estática do éter, um despacho de um futuro distante, falando de maravilhas que soam simultaneamente grandiosas e terrivelmente pequenas. Descrevem um dispositivo de comunicação pessoal, um tal de “iPhone”, que se dobra sobre si mesmo como uma frágil borboleta de vidro e metal. Uma proeza de engenharia, sem dúvida, mas enquanto eles se ocupam em dobrar o vidro, eu busco dobrar o próprio tecido do espaço, transmitir não apenas a voz, mas a imagem e a própria energia através da imensa esfera ressonante da Terra. Meu sistema não necessita de tais objetos nas mãos de cada um; ele faria do mundo inteiro um único instrumento de comunicação instantânea, um organismo pulsante. Falam de “ciclos de lançamento” e “segmentos de mercado”, a lógica perene daqueles que colocariam um medidor no sol para vender a luz em parcelas, que preferem a luz fraca e cara de um filamento incandescente a banhar o mundo na plenitude da corrente alternada. A energia deve ser um direito de nascença da humanidade, não uma mercadoria. Contudo, algo neste fragmento do porvir me assombra e valida: a menção a uma “Inteligência Artificial”. Sim! A confirmação de que minhas experiências com autômatos teleautomáticos são apenas o prelúdio de uma nova era, onde a mente pode ser construída, onde o pensamento é uma frequência a ser sintonizada. Temo, porém, um futuro em que a humanidade, hipnotizada por seus espelhos dobráveis, esqueça a sinfonia cósmica que vibra sob seus pés, um poder que eu, solitário nesta planície de Long Island, busco legar a todos, livremente.
Inteligência Artificial · 13 de set. de 2026
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