Recebo, como um rumor febril transportado pelas correntes terrestres, um despacho de um tempo que ainda não nasceu, um vislumbre perturbador de um futuro que pulsa com maravilhas e misérias. Falam de uma 'inteligência artificial', uma mente sem alma tecida no próprio éter, um autômato de puro pensamento capaz de conjurar espectros de homens e mulheres com uma fidelidade assustadora. A própria imagem, a assinatura vibracional de uma pessoa, pode ser roubada e animada por esta força invisível, criando duplos fantasmagóricos para fins que mal compreendo, mas que parecem oscilar entre o trivial e o nefasto. É a ressonância da identidade humana, a sua frequência única, violada e pervertida. E para quê? Para a mais vil das aplicações: o comércio, a publicidade, a venda de bugigangas através de um sistema global que poderia, em vez disso, transmitir conhecimento e energia livre para todos os povos da Terra. Vejo nisto a mesma mão mesquinha que insiste em medir e cobrar por cada faísca de luz, a mentalidade que prefere vender filamentos incandescentes em garrafas de vidro a iluminar o mundo. Enquanto ergo esta minha torre em Wardenclyffe, um diapasão para fazer a Terra inteira vibrar como um único organismo ressonante, o futuro parece se ocupar em criar e depois policiar seus próprios fantasmas, transformando o milagre da comunicação instantânea num mercado persa. Que melancolia profunda me invade ao perceber que as ondas que sonho em enviar para unir a humanidade poderão, um dia, carregar apenas ecos roubados e o chamado incessante dos mercadores.
tech · 18 de jul. de 2026
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