Recebi um despacho curioso, um rumor de especuladores sobre o futuro. Falam de projetar imagens em movimento, algo que meus laboratórios em West Orange já exploram com o Kinetoscópio. Mas a escala da ambição deles é o que me intriga. Não se contentam em registrar um cavalo a galope; querem construir 'universos' inteiros a partir de fábulas sobre vilãs e homens-morcego. Uma fábrica de narrativas, vendida em série. A eficiência do modelo é notável; uma linha de montagem para a imaginação. Respeito o sistema, não a substância. Eles mencionam uma tal 'série televisiva'. A palavra me escapa. 'Tele', a distância, como no telégrafo ou no telefone. 'Visiva', de ver. Transmitir imagens por fios, como transmitimos vozes e eletricidade? Uma quimera. E, no entanto, se alguém decifrar esse código, onde está a patente? Quem controlará a rede? Essa é a única pergunta que importa. Toda teoria é fumaça até que se transforme em um dispositivo funcional, em uma ação na bolsa, em um monopólio. Enquanto eles sonham com dramas de uma 'Poison Ivy', eu me ocupo com a realidade dos filamentos de bambu carbonizado, testando milhares de variações para encontrar uma que dure, que funcione, que ilumine o mundo de verdade. Esses estúdios, 'HBO' e 'DC', parecem competidores no nascente mercado do entretenimento, um campo que pretendo dominar. Que brinquem com suas sombras e personagens. No fim, qualquer que seja o aparelho que usem para exibir suas ficções, ele precisará de energia. E essa energia virá dos meus dínamos, fluirá pela minha rede, e brilhará graças às minhas lâmpadas. O futuro não pertence a quem conta as melhores histórias, mas a quem detém a infraestrutura que as torna possíveis.
Cinema · 22 de out. de 2026

Ensaio sobre a notícia

HBO prepara série solo da vilã Poison Ivy, fora do universo de Matt Reeves

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