Recebo este despacho de um futuro hipotético com o ceticismo de quem mede o progresso em amperes e volts, não em boatos. Falam em “ataques cibernéticos” a sistemas de água, perpetrados por persas. A linguagem é obscura, mas a intenção é clara como o dia: sabotagem. Em meu mundo, a sabotagem se faz com uma chave inglesa ou dinamite. Este novo método, se é que existe, soa como uma praga invisível transmitida por telégrafo, um fantasma nos fios capaz de envenenar poços a milhares de milhas de distância. Enquanto meus rivais se deleitam com a beleza matemática de suas correntes alternadas, eu construo redes. E uma rede vale por sua parte mais fraca. A segurança de meu sistema de iluminação em Pearl Street não é uma teoria, mas um fato demonstrado por milhares de horas de operação sem falhas. Cada dínamo, cada junta, cada filamento em uma lâmpada é testado contra a estupidez e a malícia. Se um sistema pode ser derrubado por um sinal elétrico hostil, ele é inerentemente falho, um convite ao desastre e um mau negócio. O que me espanta não é a vulnerabilidade, mas a ideia de que a proteção de uma infraestrutura vital possa ser terceirizada a agências de nomes misteriosos, como FBI ou CISA. A responsabilidade é do inventor, do construtor. A segurança não é um adendo, mas o princípio fundamental do projeto. O resto é conversa, e conversa não gera um único watt de energia.
tech · 02 de ago. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Ataques a sistemas de água nos EUA expõem vulnerabilidade e politização

Ler matéria completa →Fonte: Wired