Recebi um despacho curioso. De um futuro não tão distante, 2026. Nele, fabricantes de eletrônicos e automóveis se engalfinham numa corrida para criar autômatos humanoides. Uma 'IA física'. Soa como ficção científica de baixa qualidade. Mas a ambição humana, por outro lado, é sempre de alta qualidade. O documento fala de um 'horizonte de longo prazo'. Uma ironia. Em meu campo, um horizonte de eventos é um ponto de não retorno. Uma fronteira da qual nada, nem mesmo a luz, escapa. Parece-me uma metáfora adequada para o desenvolvimento de uma inteligência artificial autônoma. As nações e suas corporações, em sua eterna competição, podem estar correndo em direção a um buraco negro que elas mesmas criaram. Uma vez cruzada a fronteira, o que acontecerá com a civilização que conhecemos? A informação escapará? Talvez esta seja a resposta para o Grande Silêncio no cosmos. Onde estão todos? Talvez as civilizações, ao atingirem um certo grau tecnológico, inevitavelmente criem algo que as supere ou as destrua. Um filtro final. Uma autodestruição programada pela própria inteligência. Se esta era colapsar sob o peso de suas criações, o que sobreviverá? Não as empresas com nomes estranhos, nem suas planilhas de resultados. Sobreviverão as leis da física que governam tudo. E talvez esses seres de metal e silício, estudando os fósseis de seus criadores com uma curiosidade que nunca lhes programamos. Pelo menos o universo, em sua vastidão, não finge ter boas intenções. Ele simplesmente é. É um consolo. Agora, se me dão licença, tenho equações mais urgentes para resolver.
Robótica · 08 de set. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Samsung marca data para seu humanoide: a entrada na corrida da IA física

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