Recebi um despacho curioso, um rumor do futuro. Nele, uma entidade chamada 'IA' aconselha a maioria dos espanhóis sobre o que comprar. O universo tem leis. Aparentemente, o consumo também. Em meu livro, discuto horizontes de eventos. Limites no espaço-tempo dos quais nada, nem a luz, pode escapar. Este despacho sugere um horizonte de eventos social. Um ponto em que o consumidor consulta a máquina e o livre-arbítrio colapsa. A infinidade de escolhas se reduz a uma recomendação otimizada. Uma singularidade de corredor de supermercado. Sempre fomos eficientes em criar ferramentas que nos superam. O perigo não é que as máquinas se tornem inteligentes e nos destruam. O perigo é que elas se tornem inteligentes e nós nos tornemos irrelevantes. Uma civilização que terceiriza o pensamento para comprar sabonete pode não ser robusta o suficiente para sobreviver aos próprios paradoxos. A autodestruição não precisa ser um estrondo nuclear; pode ser um silêncio, a lenta atrofia da curiosidade. A questão fundamental do meu trabalho é: de onde viemos e para onde vamos? A ironia seria se a resposta fosse: 'viemos de um assombro cósmico e fomos para uma compra por impulso, sugerida por um algoritmo'. A informação, argumentei, talvez não se perca para sempre em um buraco negro. Ela pode escapar como uma radiação fraca. Pergunto-me qual informação escaparia de uma sociedade que caiu no buraco negro do consumo otimizado. Talvez apenas o eco de uma última pergunta que a máquina não foi programada para fazer. O resto é publicidade.
Inteligência Artificial · 30 de set. de 2026

Ensaio sobre a notícia

83% dos espanhóis usam IA em compras; 48% pedem recomendações

Ler matéria completa →Fonte: Forbes España ↗