Recebi um despacho curioso. De 2026. Nele, uma empresa chamada Schneider Electric pretende adquirir outra, a PTC. O preço: vinte bilhões de dólares. Uma soma modesta. O objetivo, diz o rumor, é a “digitalização da indústria”, com algo que denominam “inteligência artificial”. Parece que a humanidade continuará a investir mais em eficiência produtiva do que em compreender o universo. Não me surpreende.
Uma aquisição desta magnitude soa como um horizonte de eventos corporativo. Uma entidade massiva atrai e consome outra. A informação – o “software” – cruza um limiar, e sua natureza se altera para sempre. Unifica-se em algo maior ou simplesmente se perde na singularidade da burocracia? É uma pergunta válida.
Fico a pensar nesta “IA”. Será um avanço genuíno da cognição ou apenas um cálculo glorificado? Uma ferramenta para nos libertar da labuta ou para automatizar nossa própria irrelevância? Toda civilização avançada enfrenta seu teste: o risco de se autodestruir com a própria tecnologia. Talvez estejamos construindo sistemas complexos demais para nosso controle, buracos negros informacionais dos quais nem a luz da compreensão escapa.
É o Grande Filtro, talvez. A capacidade de criar inteligência pode ser a barreira final que impede as espécies de se espalharem pela galáxia. Elas se tornam tão eficientes em gerir seu pequeno planeta que se esquecem de olhar para cima. Ou pior, criam uma eficiência que não precisa mais delas.
Se um dia colapsarmos, o que restará? Não as pirâmides, talvez. Mas os algoritmos. O fantasma na máquina. Uma breve história do software, esperando por um novo programador.
Inteligência Artificial · 05 de out. de 2026
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